TAMBORES ANCESTRAIS

TAMBORES ANCESTRAIS

CURSO SOBRE A MÚSICA PERCUSSIVA DE PERNAMBUCO 

Módulo 1 - Forró

TAMBORES ANCESTRAIS - Módulo 1

 

O CURSO 

 

Neste curso iremos apresentar diversas manifestações musicais do nordeste Brasileiro, especificamente as que ocorrem no estado de Pernambuco. Além de abordar a instrumentação e como tocar as células rítmicas desses folguedos, iremos conversar sobre as histórias de cada gênero, suas ramificações e como anda a produção atual dos maracatus de baque virado, afoxés, caboclinhos, tribos de índio, maracatu de baque solto, cavalo marinho da mata e do agreste, as dezenas de tipo de côcos existentes, embolada, mazurca, la ursas, o frevo de bloco, frevo de rua, frevo canção, frevo moderno e frevo de trio elétrico, toda a cultura do forró, que é composta pelo baião, rojão, xaxado, samba de latada, arrasta-pé, marchinha, xote, dentre outros. Os ritmos são apresentados em módulos

de forma a favorecer uma melhor aprendizagem para o expectador.

 

Sou um músico nascido e criado no Alto José do Pinho, polo de cultura popular do Recife. Desde cedo convivi com a percussão das manifestações musicais de Pernambuco e do nordeste do Brasil. Através da música consegui vivenciar a cultura de diversas partes do Brasil e do mundo. Resolvi registrar minhas vivências, percepções e os anos de pesquisa na nossa cultura para trazer um pouco do que aprendi na vida, grande parte dele dedicado à carreira profissional de músico, professor e produtor. 

 

PERNAMBUCO

 

A música pernambucana é muito rica, somos a junção de várias etnias de diversos lugares do mundo. Isso nos deu uma imensidão de ritmos e gêneros musicais. Algumas dessas manifestações são realizadas em todo estado e sofrem variações de acordo com a região em que ela foi formada, outras são endêmicas de um lugar e sua produção só será encontrada nessa região específica. Recife, sua capital, sempre foi um importante porto natural, que durante muito tempo foi a principal porta de entrada e saída do Brasil. 

 

Os povos originários que habitavam o que hoje compreendemos como o estado de Pernambuco, nordeste do Brasil, também chamados de indígenas, eram os Tupinambás, Tabajaras e os Caetés no litoral e as tribos Tapuias mais ao interior. Pernambuco foi uma das primeiras ocupações europeias no Brasil, aqui se instalaram povos europeus como os Portugueses, Espanhóis, Holandeses e Britânicos. Pernambuco também recebeu uma grande população da diáspora Africana como os Bantos, Yorubás e Ewe Fon. 

 

Desde 1501 esses povos estão se encontrando, se misturando e migrando para as diversas partes do estado. Cada uma dessas culturas estão em constante reinvenção das suas tradicionais comemorações, festas e cultos, realizando uma amálgama cultural que já perdura há bastante tempo. Isso proporcionou a esse lugar se enriquecer culturalmente, com diversos ritmos, festas, celebrações e brinquedos originais de Pernambuco.

 

O FORRÓ

 

A definição de forró é muito ampla. Ela pode se referir a uma festa, a um ritmo, a uma dança, a um gênero musical, uma cultura, uma indústria do entretenimento, um estado de espírito ou ao principal elo de ligação entre os estados do Nordeste do Brasil, parecido com a função que o samba exerce na ligação dos diversos estados do Brasil. 

 

Se formos nos debruçar sobre a raiz do nome, temos duas origens possíveis para termo: Uma delas diz que a palavra vem da expressão britânica For All, ou seja, para todos, trazida pelos Ingleses que interiorizaram as linhas férreas no nordeste. Outra versão traça a origem do nome na palavra Forrobodó, que tem como definição algo muito parecido com o que é um forro: Festa muito animada e ruidosa, baile popular. Sendo assim podemos afirmar que a palavra Forró tem sua origem associada a uma festa para todos, um baile popular.

 

Nesses bailes denominados de Forró, a música tocada para animar a festa é composta por vários ritmos, levadas, momentos e cada uma delas tem uma função de existir. Dentre uma infinidade, podemos destacar o Baião, o Xote, o Arrasta Pé, a Marchinha e o Galope, o Samba de Matuto e o Xaxado. Como são expressões e festas espontâneas é natural que haja uma adaptação da manifestação às realidades locais, como por exemplo o uso da rabeca para o acompanhamento na zona da mata e uso da sanfona com a mesma função na região do sertão.

 

Na década de 1940, um sanfoneiro da cidade de Exu, Sertão do Araripe em Pernambuco, juntou alguns ritmos que faziam as festas de sua juventude, criou uma padronização orquestral (triângulo, a sanfona e a zabumba) e lançou essa música popular original do nordeste para todo o Brasi. Esse sanfoneiro era Luiz Gonzaga e é a partir dele que nasce o gênero musical Forró. 

 

Atrelada a esse fenômeno nasceu uma indústria musical que movimenta milhões de pessoas e de recursos. Para esse setor da nossa economia, trabalham uma infinidade de músicos, técnicos, estúdios, rádios, televisões, produtoras e demais setores da economia criativa, além de uma complexa cadeia produtiva indiretamente envolvida na produção e difusão das músicas. São várias as tecnologias sociais, de produção e de divulgação gestadas pela indústria cultural do forró.

 

Podemos destacar o forró também como um estado de espírito: O forró toca e é gravado o ano todo em todos os estados do nordeste. Aqui em Pernambuco não é diferente, mas nosso ambiente musical sofre algumas variações conforme as épocas do ano. Da virada do ano novo até o carnaval, escutamos muito frevo, maracatu, caboclinhos e os demais ritmos ligados a esse festejo. Ao final do ano nós temos os Cavalo Marinhos, Os Pastoris, os Bois e os Autos de Natal. Da Semana Santa até julho, o som ao nosso redor é do Forró. Essa época é onde os artistas que trabalham nesse universo lançam seus novos trabalhos e animam as festas em comemoração a Santo Antonio, Sao Joao e Sao Pedro.

 

A junção de todos esses conceitos descritos anteriormente é o forró como uma cultura, que envolve uma estética sonora e visual, uma produção profícua de artistas de diversas vertentes, uma indústria musical e de eventos de proporções gigantescas, aliada a uma tradição que remonta ao século XIX e que é o elo de ligação entre a região com mais estados no Brasil.

 

SOBRE MIM

 

Eu me chamo Alexandre Baros, sou um artista pernambucano nascido e criado no Alto José do Pinho, polo da cultura popular do Recife. Tenho trabalhos com música, artes visuais, moda, tecnologia, iluminação, rádio, audiovisual e educação.

 

Na efervescente cena cultural do Recife do início do milênio, iniciei minha carreira na música aos 15 anos, apresentando o programa Pernambuco Independente, na Rádio Real FM 103,5. Muito antes da popularização da internet e das redes sociais, esse foi um dos meios de escoamento do que era produzido de forma independente em Pernambuco, no Brasil e no Mundo. Em paralelo, eu tocava em barzinhos, bandas de baile e grupos de pagode.

 

Durante cinco anos percorri as estradas do Brasil e América do Sul apresentando espetáculos de artes integradas a tecnologia com o meu grupo Coisa Nostra. Percorremos mais de 80 mil quilômetros pelas estradas do Brasil, Argentina e Uruguai. Recebemos dezenas de premiações em alguns dos mais importantes festivais de música do país como o Web FestValda, o Botucanto e o Fun Music Festival. Também fui jurado e curador de algumas mostras competitivas, como o PreAmp, no Recife. Com a banda Tagore toquei em alguns dos maiores festivais de música do mundo, como o Lollapalooza e o South By Southwest - SXSW.

 

Além disso, toquei e gravei com diversos nomes da música pernambucana. Em meu trabalho solo, lancei os clipes das canções "Dança da La Ursa" e "Conceição", além da performance/experimento sonoro "Tradução Simultânea".

 

Como educador, trabalhei com educação musical para pessoas com síndrome de Down e fundei o Maracaarte, grupo de percussão protagonizado pelos próprios alunos.

 

Atualmente faço parte da Banda de Pau e Corda, tradicional grupo pernambucano.

 

Além disso faço parte da Troça Pife Floyd que agita as tardes de Olinda no sábado de carnaval e pesquiso a música percussiva produzida em Pernambuco e no Nordeste do Brasil. Ainda estudei no Conservatório Pernambucano de Música e cursei Licenciatura em Música na Universidade Federal de Pernambuco.

 

A FIGURA FUNDAMENTAL - PADRÃO 3+3+2 OU TRESILLO

 

É observado na música latino americana a recorrência de um padrão de base rítmica que recebe vários nomes de batismo, entre eles o padrão 3+3+2 e o tresillo. Podemos ilustrar essa fórmula rítmica como oito partes simultâneas de mesma duração com sons singulares executados na primeira, quarta e sétima partes: Ex. * * * | * * * | * * .

Esta célula rítmica é presente em diversos ritmos brasileiro, entre eles o maxixe, o samba, o choro e a capoeira, neste último sua presença pode ser notada nas palmas executadas pelos participantes de uma roda de capoeira.

A figura aqui apresentada também pode ser a referência para o ritmo baião, mas vale ressaltar que ela também admite variações. Na música " vem morena" é possível perceber o padrão 3+3+2 sendo executado na zabumba, esse padrão representa o baião como estrutura rítmica, porém vale ressaltar que a música "baião", sucesso de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira utiliza na zabumba uma variação desse esquema, o 3+1+2+2( variação do 3+3+2). 

 

BAIÃO

 

O baião é um dos ritmos que compõem o gênero musical forró.

Podemos traçar a origem do nome Baião, a partir de como ele era conhecido anteriormente: Baiano, por influência do verbo “baiar”, forma popular de bailar, baiar, baio (baile). 

Segundo informa Câmara Cascudo, o Baião foi um gênero de dança popular bastante comum durante o século XIX. Sua popularização no país ocorreu por volta de 1946, com Luiz Gonzaga, que em um depoimento declarou que a instrumentação básica do baião é de origem portuguesa, mais especificamente da chula. Sua execução original era com sanfona e com a popularização passou a anexar outros orquestramentos.

O primeiro sucesso veio com a música homônima - Baião - de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, cuja letra diz: "Eu vou mostrar pra vocês / Como se dança o baião / E quem quiser aprender / É favor prestar atenção."

Ai aqui eu já entro tocando em cima da minha fala desse final

O baião possui diversas levadas, iremos conversar sobre algumas delas. Antes disso, vamos entender quais são as composições rítmicas fundamentais para que uma levada seja considerada um baião:

 

XOTE

 

O Xote é um ritmo musical binário ou quaternário e uma dança de salão de origem centro-europeia. É um ritmo que está dentro do escopo do forró. A palavra "xote" é corruptela de schottische, uma palavra alemã que significa "escocesa", em referência à polca escocesa. Conhecido atualmente em Portugal como "chotiça", o Schottische foi levado para o Brasil por José Maria Toussaint, em 1851 e tornou-se apreciado como dança da elite no período do Segundo Reinado. Quando os povos oriundos de áfrica aprenderam esse ritmo e seus passos da dança, acrescentando sua maneira peculiar, o Schottische caiu no gosto popular com o nome de "xótis" ou simplesmente "xote".

É uma dança muito versátil e pode ser encontrada desde o extremo sul do Brasil (o xote gaúcho) até o nordeste do país. Diversos outros ritmos possuem uma marcação semelhante, podendo ser usados para dançar o xote, como o reggae, por exemplo, e tem incorporado elementos da música latino-americana. Hoje em dia, o xote é um dos ritmos mais tocados. Foi o ritmo que deu origem à famosa Pisadinha, que faz grande sucesso hoje no Brasil.

Na festa de forró é o ritmo mais lento, sensual e cadenciado.

O Xote possui diversas levadas, iremos conversar sobre algumas delas. Antes disso, vamos entender quais são as composições rítmicas fundamentais para que uma levada seja considerada um xote:

ARRASTAPÉ, MARCHINHA OU GALOPE

 

Arrasta-pé é um mais um ritmo típico da nossa Região Nordeste do Brasil e que faz parte da cultura do forró. É um ritmo que tem bastante energia, sua dança é feita com bastante vigor e muita animação. É uma das grandes influências do axé music, através da banda Chiclete com Banana que possui discos dedicados a sua versão do ritmo.

É uma manifestação musical que possui uma influência direta da Polca. Podemos dizer que é a tropicalização da festa, mais uma mistura africana e européia na América do Sul.

O ritmo é bem agitado, tem bastante confluência com o frevo. Pode ser chamada de arrasta pé, marchinha e galope, cada uma com pequenas variações, como por exemplo: a marchinha seria o arrasta pé tocado em uma formação onde existe um caixa/tarol e pratos.

Arrasta Pé é também a música que se dança nas quadrilhas juninas. Sejam elas quadrilha matutas tradicionais, as de ocasião ou as grandes quadrilhas estilizadas que fazem verdadeiros espetáculos de dança, teatro, som, música e moda em suas apresentações. Como todos os ritmos nordestinos tem variações, releituras e já foi tocado de diversas formas. Contudo iremos entender quais são as composições rítmicas fundamentais para que uma levada seja considerada um arrasta pé:

XAXADO

 

É conhecido pelo nome de xaxado um ritmo e dança típicos do nordeste do Brasil, com raiz nos costumes do sertanejo originário das regiões do Pajeú e Moxotó no interior de Pernambuco com evidentes características extraídas das culturas indígenas. Seu nome é atribuído ao som onomatopaico que os dançarinos fazem com as alpercatas arrastadas no chão durante a dança, soando "xa-xa-xa".

Há também a versão de que o nome xaxado seja derivado da palavra "xaxar", uma corruptela de sachar (cavar a terra com o sacho, capinar). Verificando os movimentos dos pés de quem está manuseando uma enxada, limpando mato na roça ou xaxando, é semelhante aos de quem está dançando o xaxado básico.

A "paternidade" do xaxado também é matéria de bastante controvérsia, pois alguns autores afirmam que se trata de uma adaptação de danças portuguesas; outros afirmam ser uma recriação de danças indígenas, e há ainda várias fontes que acreditam terem sidos os cangaceiros, em especial o bando de Lampião os criadores do xaxado. 

Na verdade, as primeiras pesquisas sobre o ritmo remontam a 1922, onde se verificava sua prática nas regiões do Agreste e Sertão pernambucano. Os cangaceiros possuem o mérito de serem os principais divulgadores do xaxado, pois usavam a dança como grito de guerra ou para celebração de vitórias. Utilizando o rifle em substituição da mulher, a dança era exclusivamente praticada por homens (mesmo porque na época as mulheres ainda não participavam dos grupos de cangaceiros, situação que mudaria pouco depois com a inclusão de Maria Bonita e outras mulheres no bando de Lampião). Com o passar dos anos as mulheres conseguiram o espaço na brincadeira. Por conta dessa divulgação, o xaxado é muito ligado ao cangaço. Os grupos dançam em fila indiana, com letras de insultos aos inimigos, lamentando a morte de companheiros ou enaltecendo aventuras e façanhas.

Assim, hoje em dia o xaxado é executado aos pares, e os grupos dançam geralmente acompanhados por conjuntos de zabumba, triângulo, pifano e sanfona, apesar de originalmente o xaxado não possuir qualquer acompanhamento, sendo uma forma predominantemente vocal, com o som das alpercatas arrastadas no chão fazendo as vezes de instrumento de percussão, ditando o ritmo da dança.

A dança que nasceu nas brenhas da caatinga surgiu como uma alternativa para aliviar o tédio e as agruras dos cangaceiros que fervilhavam pelas matas secas, espinhosas e poeirentas da região mais árida do país. Vamos entender quais são as composições rítmicas fundamentais para que uma levada seja considerada um Xaxado:

SAMBA DE MATUTO OU DE LATADA

Um samba bem diferente, executado por sanfona, triângulo, zabumba. Também ficou conhecido como 'samba matuto', 'samba da raça',, 'samba apracatado' e como 'samba brega'. Suas letras tratam de dor de cotovelo e de maridos ou amantes traídos. Os grandes nomes desse estilo de samba foram Abdias Filho, ex-marido da cantora Marinês, um dos maiores sanfoneiros de oito baixos de todos os tempos.

Outra figura importante para o ritmo foi João Silva (1935/2013). Pernambucano de Arcoverde, foi o autor mais gravado por Luiz Gonzaga. João foi responsável pela disseminação do samba de latada, há 50 anos, com Pra Não Morrer de Tristeza.

O samba de latada é oriundo do interior do sertão de Pernambuco. É uma tradição bem antiga erguer um palhoção nas casas das fazendas para que as pessoas façam festas embaixo. Essas festas eram iluminadas pelas latas de querosene, por isso é chamado latada. 

Esta nuance do samba, sem o aparato percussivo da contraparte carioca, se apoia sobre o trio sanfona, zabumba, triângulo. 

Vamos entender quais são as composições rítmicas fundamentais para que uma levada seja considerada um Samba de latada:


INSTRUMENTAÇÃO

 

Como nós já vimos anteriormente, essas manifestações são populares e espontâneas, sendo assim há um incalculável número de variações rítmicas e instrumentais para esses ritmos. Neste curso, estamos investigando os pilares desses gêneros musicais e suas origens. Logo, nosso foco é a base!

 

ZABUMBA

 

Com relação a Zabumba nós temos basicamente 3 sons que podem ser executados no instrumento: Batida Do Grave Solto, Batida Grave Abafado e o Bacalhau.

A Zabumba é um tambor confeccionado de madeira ou de metal e as suas medidas variam de 14” até 24” de diâmetro da boca e de  3” a 12” de profundidade.

De médias e grandes dimensões, com sonoridade grave, suas duas membranas esticadas são tocadas por duas baquetas. Ou por um baqueta e a mão. 

Na parte de cima, onde é produzido o som grave, usa-se uma baqueta que é conhecida por diversos nomes como Pirulito, Maçaneta e Maçeta. Sua batida marca o tempo forte da música. 

A zabumba também marca o contratempo devido ao bacalhau, uma vareta fina que pode ser de vários materiais, como madeira e plástico, e que percute a pele inferior. Há também a possibilidade de ser usada a mão com a mesma finalidade. 

É um instrumento de som indeterminado, ou seja, não possui afinação tonal.

O som grave funciona como uma espécie de bumbo de bateria, enquanto o bacalhau cumpre a função semelhante ao da caixa. Suas peles podem ser de couro ou de nylon.

Possui algumas prováveis origens: nos Bombos da chula portuguesa, nos bumbos das bandas marciais e também no Elubatá, instrumento de origem Yorubá que é popularmente conhecido em Pernambuco pelo nome de Alfaia. Segundo informa GUERRA PEIXE em Maracatus do Recife, durante a década de 30 os tambores de maracatu eram popularmente chamados de Zabumbas.

Quanto maior o diametro do instrumento, maior facilidade em emitir notas com frequências mais baixas e quanto maior a profundidade, maior a facilidade em emitir harmônicos.

 

 TRIÂNGULO

 

Triângulo é um instrumento musical idiofone de percussão feito de metal. é usado no folclore português e também em alguns estilos brasileiros, como o forró. Pode também ser incluído na seção de percussão de uma orquestra ou de uma banda de música.

Normalmente é feito de ferro, alumínio ou aço. O som do instrumento é obtido através do movimento do batedor, que bate no triângulo em sincronia com a mão que o segura e determina o som aberto (com maior sustentação) ou fechado. 

É o menor dos instrumentos de orquestra e é percutido com uma baqueta também de ferro, alumínio ou aço. Os sons emitidos, sempre agudos, podem ser curtos e isolados ou formar uma cadeia, provocada por batidas sucessivas.

O triângulo tem sua origem no ferrinho, um instrumento usado na chula portuguesa e que foi primeiramente documentado no século 10. Nos primórdios da sua história foi usado nas celebrações da igreja e por isso era frequentemente associado com a arte religiosa.

Os primeiros triângulos não tinham a “parte final aberta” e, geralmente, tinham até cinco anéis de metal roscados no instrumento. Os anéis libertavam um som estridente e grosseiro. Este estilo de triângulo sobreviveu até meados do século 19, altura em que foi substituído pelo modelo que hoje conhecemos.

 

GANZÁ

 

Ganzá é um instrumento musical de percussão, que é classificado como um idiofone executado por agitação. É um tipo de chocalho, geralmente feito de um tubo de metal, madeira ou plástico em formato cilíndrico, preenchido com areia, grãos de cereais ou pequenas contas. O comprimento do tubo pode variar de 15 centímetros até mais de 50 centímetros.

Há uma certa controvérsia a respeito das origens do ganzá: alguns pesquisadores afirmam que o instrumento é de origem africana; entretanto, segundo o etnomusicólogo Carlos Sandroni, no Brasil, quando da invasão dos europeus, não foram encontrados tambores entre os indígenas, sendo instrumentos tipo chocalho e suas derivações predominante em nossas terras. indígenas também afirmam que o ganzá é uma variação do maracá. Segundo eles, fazer uso de maracás era proibido devido à ligação desse instrumento com os antigos cultos indígenas (dos quais o catimbó-jurema é uma ramificação). Por isso, os caboclos desenvolveram o instrumento e passaram a ritmar suas toadas com ganzás.

É um instrumento que pode ser produzido de diversos materiais. Porém seu formato mais popular data da primeira metade do século XX, quando uma lata de óleo era levada aos mestres funileiros, que moldavam o instrumento derramando dentro da lata pedacinhos de chumbo.

Tanto emboladores de coco, como membros de religiões afro-indígenas, chamam, às vezes, o ganzá de maracá e o maracá de ganzá.

AGOGÔ

 

O agogô é um instrumento musical de percussão da família dos idiofones. Compõe-se de 2 até 4 campânulas de ferro, de tamanhos diferentes, ligados entre si pelas vértices. Há também variações que podem ser feitas de coco, madeira ou blocos plásticos, recebendo diversos nomes nessas variações, como Coquinho, Quenga, Wood blocks e Jam blocks. 

Para tirar som desse instrumento bate-se com uma baqueta de madeira ou metal, em suas duas bocas, também chamadas de campânulas.

Com o nome de Gã é usado em diversas religiões de matriz africana no Brasil. Pertence ao Orixá Ogum e como todo objeto sagrado, antes do seu uso deve passar por rituais litúrgicos de consagração, nestes cultos é tocado com o aguidavi, nome dado à baqueta ritual do Candomblé.

Sem a contraparte religiosa, no forró seu uso é diferente, usada principalmente para marcar o tempo da música. Funcionando como um metrônomo. Pode ser empregada nas canções em substituição ao triângulo ou marcando o tempo contrário ao deste instrumento. 


 

OS MESTRES

 

Os elementos da cultura popular de Pernambuco, como o forró e suas derivações, são manifestações espontâneas, nascida na interação entre as pessoas. Essas tradições se perpetuam através dos conhecimentos passados de forma oral. Dessa forma, temos em todas as manifestações a figura do Mestre: Que é uma pessoa que recebeu os conhecimentos do seus antepassados, adaptou a sua realidade, produziu e agora passa essas tradições adiante. Normalmente esse Mestre domina todos os elementos que compõe essa manifestação.

 

Sendo assim, nosso respeito maior a todos os mestres da cultura popular, a ele devemos nosso respeito e gratidão. Foram eles que mantiveram nossa cultura viva e nos possibilitaram desfrutar dessa riqueza.

 

GRAVAR LEVADAS DE TRIANGULO

 

BAIAO

XOTE

ARRASTAPE


 

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